Hoje, dia 03 de janeiro de 2022, primeiro dia útil do ano e, por aqui muitas coisas já aconteceram... Vou relatar como foi a primeira grande conquista do ano, uma longa aventura para começar o ano animado e confiante para tudo que está por vir.
No dia 1º de janeiro deste ano, o qual acabou de começar, participei de uma prova de endurance da Iron Butt Association, a Polar Bear 1000, uma prova criada nos Estados Unidos da América no segundo semestre de 2020, mas que é aberta a todos os pilotos do mundo e, lá estava eu, no primeiro dia do ano, representando o Brasil. Hoje tenho ótimas notícias para compartilhar, deu tudo certo e mesmo com o tempo chuvoso, a data da prova e demais empecilhos que foram surgindo durante o trajeto, conquistei mais um título para nosso país. A Iron Butt Association Brazil vem mostrando sua força a cada dia!
A prova, como já havia dito em postagem anterior, segue as regras do icônico SaddleSore 1000 da Iron Butt Association, porém é exclusiva para a data inicial do ano, 1º de janeiro. O nome não faz muito sentido para nós brasileiros, afinal vivemos em um país tropical e que nem sequer possui o urso em sua fauna, mas não pense que a prova temática perde seus méritos por isso. Acredito que para nós o desafio se modifica, mas não deixa em momento algum de ser intenso, se no hemisfério norte temos neve em algumas partes, por aqui, no hemisfério sul, temos intensas chuvas de verão e em comum existe o desafio e a abdicação de deixar de lado a festa da virada de ano, deixar de beber, comer e comemorar com os amigos e familiares como nós gostaríamos de fazer, para quem deseja concluir a prova a comemoração fica para depois. No dia 31 de dezembro de 2021 eu dormi até mais tarde e aproveitei para descansar durante todo o dia, foi um dia de chuva intensa por toda a manhã, tarde e noite, fato que acabou me deixando um tanto quanto receoso com o dia seguinte, mas procurei ser otimista mesmo após presenciar tanta chuva e olhar os boletins climáticos que previam fortes chuvas por todas as cidades do meu trajeto. Durante a noite passei apenas duas horas com os familiares e voltei para a cama, afinal acordaria às 03 horas da madrugada para tomar um banho, me preparar e comer alguma coisa antes de partir. A partida foi registrada às 04:06, ali começava a contar de forma regressiva as minhas 24 horas, prazo que teria para cumprir a tão aguardada prova de ano novo.
Como eu já conheço a moto e tenho intimidade com ela, afinal foram 75 mil km percorridos com a mesma em um único ano, me dei ao luxo ou a falta dele de usar algumas peças até o fim, parece loucura mas... Saí de casa com um pneu já bem usado, o qual ainda voltou com expectativa de rodar mais uns 3 mil km, tá chegando no fim, o pinhão que usei achando que iria acabar durante a viagem e teria de ser trocado voltou quase sem dentes, mas ainda rodando e, uma bateria maldita que ao menos uma vez por semana precisa ser recarregada, parece mais uma bateria de celular. Ainda bem que a XR é uma moto de total confiança, até mesmo sem a bateria ela segue em frente, nada que um tranco não resolva... Aliás, a prova começou assim, pensei naquele momento... é, começamos bem!
Na minha bagagem eu contava com todas as ferramentas e peças sobressalentes que poderia precisar, qualquer que fosse o problema poderia ser sanado por mim mesmo rapidamente, estava preparado para isso e, inclusive, esperando por isso... Como não se fez necessário, fiquei ainda mais tranquilo, por isso sempre é bom usar peças de marcas confiáveis, além de durarem mais não costumam te deixar na mão e, mais uma vez fica comprovado, quem realiza a manutenção da própria moto sabe bem até onde pode ir com ela. Mais uma grande conquista e alegria com a lendária Honda XR 250 Tornado, a eterna rainha das trilhas... Agora também das estradas.
Prosseguindo com o relato, na parte da madrugada peguei pista molhada, por mais de 300 km, só fui pegar pista seca quando estava próximo de Belo Horizonte/MG, mas logo depois veio uma pancada de chuva, nada demais, com botas adequadas e uma boa capa tudo isso passa batido, porém ficar com a capa durante quase todo o trajeto acaba pesando no final do dia, isso auxilia na fadiga do piloto, seja por peso, por não ter uma correta refrigeração do corpo ou até mesmo pelo incômodo de várias peças de vestimentas sobrepostas pelo corpo.
Durante todo o dia aconteceu um milagre, posso assim dizer, os boletins meteorológicos não estavam muito bem calibrados, choveu nas regiões por onde passei, mas não exatamente onde eu estava passando e isso me auxiliou durante os km a serem percorridos. Peguei apenas duas pancadas de chuva, mas foram rápidas e sem maiores problemas, foram suaves. O meu maior problema foi o cansaço que me acometeu após passar por Uberlândia/MG, faltavam apenas três abastecimentos, porém as chuvas que tomaram conta daquela região e, principalmente, da estrada por onde eu deveria passar acabaram danificando a pista e muitos buracos surgiram até chegar em Araxá/MG. A somatória de um dia completamente nublado, úmido e com algumas pancadas de chuva, o uso de capa e botas de borracha, aliados a quase 20 horas pilotando me gerou uma fadiga enorme, o cansaço tomou conta de mim e foi difícil chegar no próximo abastecimento. Logo após abastecer continuei, mas o ritmo já não era o mesmo, não conseguia manter velocidade, parei em um outro posto e deitei por 10 minutos ao lado da moto, coloquei o celular para despertar e, esses singelos minutinhos fizeram toda a diferença, foram eles que me renovaram para enfrentar a Serra da Catiara, antes de chegar em Serra do Salitre/MG, cidade que estava completamente tomada por um nevoeiro, o qual molhava mais do que uma chuva torrencial, para se ter ideia eu não conseguia ver o posto que estava do outro lado da rodovia, apenas via um clarão das luzes ligadas. Após o penúltimo abastecimento acelerei tudo que dava para acelerar, mesmo com o nevoeiro, o mesmo se dissipou faltando pouco mais de 20 km para chegar no meu destino, a minha cidade natal, Patrocínio/MG.
Ao chegar me senti aliviado, sempre digo que cada prova da IBA é única e, esta em questão foi sensacional, me desafiou de verdade. Finalizei a prova com 23 horas e 09 minutos, entre o primeiro e último comprovante de abastecimento, após 1.618 km percorridos e registrados no Wikiloc. Liguei para minha namorada e fui comer e beber algo com ela para comemorarmos, antes do merecido descanso. Como sei que nunca chego no horário, nunca deixo alguém me esperando acordado, falo para que a pessoa durma e deixe o celular por perto, sendo assim, ao chegar eu ligo e a pessoa já está descansada, diferente de mim. Eu havia dito que chegaria por volta de meia noite, ainda bem que ela foi dormir.
O ano de 2022 começou com chave de ouro, concluí uma prova que havia idealizado há alguns meses e acabei me tornando o primeiro latino-americano e brasileiro a vencer a Polar Bear 1000. Até então apenas 28 pilotos no mundo haviam concluído a prova, tendo entre seus concluintes uma hegemonia americana, além de um piloto solitário da Nova Zelândia. Bom, agora o Brasil se torna o terceiro país a conquistar essa prova temática e a conquista veio em dobradinha, concluí no começo do dia 02 de janeiro e durante a noite do mesmo dia outro piloto com sua esposa na garupa de uma Honda CG também concluiu a mesma. Tenho certeza de que a IBA Brazil fará um ano incrível e que muitos pilotos brasileiros se consagrarão durante este ano.
A seguir vou deixar alguns dados sobre a prova e algumas dicas para a realização do SaddleSore 1000, seja ele em qualquer data a ser escolhida pelo piloto...
Sempre faço este esquema com os dados importantes e referentes à prova e coloco no WhatsApp, assim tenho acesso rápido durante o trajeto. O mesmo possui o nome do desafio, todas as paradas para abastecimento e as coordenadas geográficas para que eu possa inseri-las no Google Maps rapidamente, sem perder tempo procurando postos, o levantamento deles é algo imprescindível a ser feito antes da prova, tenha em mente o trajeto a ser realizado e use o navegador do celular para não passar direto em algum entroncamento rodoviário ou anel viário, isso poderia custar a prova dependendo da região e do tempo que você poderia acabar perdendo.
Polar Bear 1000 - 2022
#1 - Patrocínio/MG 0 km
Posto Morada Nova -18.956555, -46.993960
#2 - Ibiá/MG 105 km
Posto Shell -19.591542, -46.493136
#3 - Nova Serrana/MG 186 km
Posto Oásis -19.872493, -44.968445
#4 - Belo Horizonte/MG 115 km
Posto Ipiranga -19.938487, -44.007304
#5 - Curvelo/MG 155 km
Posto Santana -18.801541, -44.466167
#6 - João Pinheiro/MG 185 km
Posto Caxuxa JK -17.991781, -45.602130
#7 - Paracatu/MG 182 km
Posto Coopervap -17.233909, -46.848788
#8 - Cristalina/GO 107 km
Posto JK -16.749398, -47.607856
#9 - Catalão/GO 186 km
Posto JK -18.181347, -47.941613
#10 - Uberlândia/MG 100 km
Posto Caxuxa Tapajós -18.864166, -48.254651
#11 - Araxá/MG 175 km
Posto Trevo Rio Branco -19.562006, -46.973794
#12 - Serra do Salitre/MG 82 km
Posto Ipiranga 2000 -19.099501, -46.675624
#13 - Patrocínio/MG 43 km
Posto Morada Nova -18.956555, -46.993960
Total: 1.621 km
https://goo.gl/maps/JUjgDGcPk11J4jnr6
Em algumas ocasiões, quando a criatividade está em alta, costumo fazer alguma arte para o prova ou para expedições que realizo, esta foi a que fiz para o prova Polar Bear 1000. Legal, né?
Após concluir cada prova da Iron Butt Association, tenho isso como tradição em minhas provas, sempre faço um relatório geral dos dados da prova. Esses dados servem para estudos futuros, afim de melhorar o tempo e otimizar a pilotagem durante as provas. Compartilho com vocês o mesmo a seguir...
Polar Bear 1000 - 2022
Honda XR 250 Tornado 07/08
Relatório Geral
1.618 km percorridos
23 horas e 09 minutos
13 abastecimentos
14 pedágios
R$ 583,15 combustível
R$ 37,65 pedágios
R$ 620,80 total
81,36 litros de gasolina comum
71,00 litros de gasolina comum usados
(o restante se encontra no tanque da moto)
22,79 km/litro
R$ 0,38 por km percorrido
1° brasileiro a concluir o desafio
Polar Bear 1000
Alisson Campos 232
IBA/BR 69.885
https://linktr.ee/AlissonCampos232
Bom pessoal, eu acredito que seja isso... O relato já está ficando extenso e a intenção é apenas de relatar brevemente como foi a prova, dar algumas dicas, compartilhar alguns dados e incentivar mais pilotos a se lançar a desafios como este, é algo que como costumo dizer deveria ser realizado por todos os amantes do motociclismo, nem que seja uma única vez na vida.
Para quem quiser saber mais sobre a Iron Butt Association Brazil deixo logo abaixo os links do grupo no Facebook e também do canal no YouTube. Venha se juntar aos pilotos de endurance mais insanos do mundo!
https://www.facebook.com/groups/IBA.BR
https://www.youtube.com/c/IronButtBrasil
Parabéns amigo...
ResponderExcluirUma prova como essa já difícil em condições ideais, imagina com as condições meteorológicas instáveis?...
Parabéns pela determinação...
Grande abraço
Valeu, realmente... É na adversidade que a gente se descobre e percebe se quer de verdade algo.
ExcluirGrande Abraço!
Parabéns meu brother, fizemos cumprimos esse desafio da Iron Butt, na mesma data. Parabéns pra nós, fica a dica, que somos mesmo diferentes. Pois somos tachados de loucos, na verdade, somos INSANOS IRON BUTT. Grande abraço AMMigo.!!!
ResponderExcluirVerdade amigo, foi um começo de ano maravilhoso pra gente... E que venham mais insanidades no decorrer de 2022.
ExcluirParabéns pra gente, amanhã vou assistir a live contigo... Forte abraço!
Que show! Meus parabéns por trazer mais essa conquista pro Brasil!
ResponderExcluirValeu meu querido, tmj!
ExcluirSão singelas conquistas, mas que vão engrandecendo nosso país e nossa história.
Parabéns Alisson. Realmente é muito incômodo pilotar na chuva. À noite então é bem pior. E pra pegar os cupons no abastecimento e tirar a foto com as mãos molhadas... Dou valor especial a essa conquista. E, de quebra, vem um certificado de "Not Right Rider".
ResponderExcluirVerdade, dá até descrença chegar nos pedágios e postos com as mãos todas molhadas... Ter que tirar as luvas e tudo mais.
ExcluirDefinitivamente o termo Not Right Riders nos define. kkkk